Que eu saiba…

Card64

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Jan Saudek5

Jan Saudek

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

[Pablo Neruda]

Queria morar
no umbral do esquecimento…
Só assim não doeria a distância
entre o teu corpo e o meu:

[limiar entre a vida e a morte,
espaço de tempo
em que o absurdo se instala
e tudo vira loucura ou quase].

Caberia mais,
nesse imenso abismo de ausência,
do que lembranças como castigo
e desejos como promessa.

Descobri,
que a saudade vicia mais
quando há esperança nascendo
por entre as frestas do sonho…
Mas o amor não foi feito para ser pouco
nem para ter limites e brevidades…

Por isso, cada despedida nossa
encerra uma pequena morte
e eu não sei mais renascer
longe do teu sorriso…

Tudo é constância do óbvio,
olhos que vertem rios sem margens,
um corpo sem propósito e
uns passos sem destino…

O amor, às vezes, imita a morte.
Só que de um jeito mais covarde…

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Não sei de ti…

359_by_aleksandra88

Desconheço a autoria da Imagem.

Entre o real e o sonho
seremos nós a vertigem

[Alexandre O’Neill]

Não sei de ti, mas te pressinto.
Teu olhar perdido em algum ponto,
vagando entre o tudo e o nada
do que somos e do que queremos ser.

Não te vejo, mas te intuo.
Tuas mãos fortes sobre minha carne branca
e o teu chegar sempre partindo…
(porque deixas em mim todas as vontades
e uma esperança torta que colore o olhar).

Não te sinto, mas imagino.
A imagem da tua boca, meu fascínio,
ápice da loucura, alquimia do meu querer.

Não te tenho, mas persisto
nessa paixão incontida
e nesse desejo louco, quase santo
porque puro. Tanto! Um sonho…

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Por favor…

Card70.jpg

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Ausência…

anytime_by_kamil akca

Kamil Akca

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num País sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

[Sophia de Mello Breyner Andresen]

Preciso aprender a desfazer em mim
o absurdo que a palavra “sempre” me causa,
a sobreviver às quedas quando despenco
do céu de tua boca e espalho
– sem querer – o verde do meu olhar
nas margens do teu sorriso bobo.

Tenho que aprender a seguir viagem,
repondo a coragem quando o cansaço vem,
sem trégua, borrando a paisagem…
(Preciso aprender a me desprender
dos minutos que carregam
os pesados silêncios de tua ausência).

Quero o consolo da palavra “lágrima”
me lambendo o rosto, ainda quente,
depois de uma tarde de choro,
e o abraço do tempo, acalmando os sonhos,
que teimam em brotar nessa umidade
– quase áspera – da tristeza…

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Era só isso…

Card68

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Dom…

caminhos

Desconheço a autoria da Imagem.

Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino
pelos caminhos que escolhemos para fugir dele.

[Jean de La Fontaine]

Se me fosse possível escolher um Dom
eu escolheria o de apagar caminhos…
Todos eles! Os percorridos
e os que não se deixaram percorrer.

Jogaria folhas secas, talvez,
galhos e troncos, animais mortos,
pedras gigantescas, talvez escavasse um
imenso buraco, que fizesse engolir tudo.

Desconheço um caminho
que não seja triste…

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