Flor…

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Brooke Shaden

A dor não tem nome,
Não se chama, não atende.
Ela mesma é solidão:
nada mostra, nada pede, não precisa.
Vem quando quer.

[Cecília Meireles]

Sou estreita fenda por onde o sol
se esquiva, tristonho, e renasce em vão…
Onde, antes, queimavam labaredas,
restam cinzas e um tempo que não passa.
Entre o nada e a mágoa,
escrevo palavras que ninguém lê.

Há um tratado silencioso
das coisas que protegem da dor.
Mas isso é apenas mais uma mentira
repetida, incontáveis vezes, para
então, se tornar verdade.

Evito o confronto com as memórias,
com meus olhos no espelho,
com a vida lá fora… e percebo
que ninguém sai impune
ao negar o amor que sente.

Eu sou a faca que corta
uma a uma, sem dó,
todas as flores que plantaram
em meu caminho.

Eu sou aquela que,
sempre atrasada ou adiantada demais,
nunca soube viver a serenidade
do tempo certo.

Eu sou a tempestade que destrói casas,
que arrasta carros e amedronta pássaros.
Sou aquela que perdeu a importância
e que, só no silêncio, encontra a integridade
para ser, sem fazer doer o mundo.

Eu não sou.
Mas tenho uma fé insistente
de que toda ferida
há, ainda, de virar flor.

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