A busca…

mendigo-morto

Desconheço a autoria da Imagem.

O mendigo dizia ao céu:
– Afinal tu não hás de me cair em cima.
E o céu:
– Nem tu hás de me escalar.

{Machado de Assis}

     Vivia uma semi-vida, regrada a comida que no lixo encontrava, ou quando muito a sorte lhe abria, alguém lhe via vagando pelas ruas e se compadecia, dava-lhe algum trocado ou até mesmo algo para comer, que não estava podre nem sujo. Passou a vida assim: vagando de cidade em cidade. Muitas vezes ganhava carona, mas a maioria do percurso era a pé. Sentia-se cansado demais para se entregar a um canto qualquer do mundo e, por isso, decidiu morrer caminhando. Pensava que, talvez, encontraria algum sentido na vida assim, perambulando sem rumo. Mas o sentido não veio e ele adoeceu feio, o que o obrigou a escolher uma escadaria, de frente a uma Igreja antiga do interior, e ali permanecer sozinho, sentindo muita dor. Seus olhos, que já não carregavam brilho algum, acabou por apagar o mísero lume. Seu corpo, magro e derrotado, venceu-se ali, ao pé de Cristo, à sombra de uma cruz que só ele sentia o peso. E ninguém deu por aquele corpo sem vida, encolhido e frio, naquela manhã de sexta-feira. 

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