Ruínas…

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Desconheço a autoria da Imagem.

Não te vou negar a visita às ruínas que deixaste em mim.

[Linda Martini] 

     O silêncio sempre a acolheu com olhos de cumplicidade. Era como um amigo íntimo, sabedor de todos os segredos que ela guardava. No entanto, ultimamente, ela via nele certo ar de repreensão. Era quase doloroso ouvi-lo entre as paredes da casa vazia. A solidão lhe caía bem, disso ela sabia. Mas agora, olhando em silêncio a rachadura na parede, perdeu-se em si mesma, como numa espécie de transe. Perguntava-se de sua importância no mundo, se era tão inútil quanto aquela fresta delicada, aberta como uma ferida negra, na parede branca. Quis chorar. Seus olhos de mar naufragaram rapidamente num sem fim de lágrimas. Não as enxugou. Concluiu que algumas lágrimas devem seguir seu curso sozinhas, até secarem por conta própria. Ou não.

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