Jan Saudek5

Jan Saudek

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

[Pablo Neruda]

Queria morar
no umbral do esquecimento…
Só assim não doeria a distância
entre o teu corpo e o meu:

[limiar entre a vida e a morte,
espaço de tempo
em que o absurdo se instala
e tudo vira loucura ou quase].

Caberia mais,
nesse imenso abismo de ausência,
do que lembranças como castigo
e desejos como promessa.

Descobri,
que a saudade vicia mais
quando há esperança nascendo
por entre as frestas do sonho…
Mas o amor não foi feito para ser pouco
nem para ter limites e brevidades…

Por isso, cada despedida nossa
encerra uma pequena morte
e eu não sei mais renascer
longe do teu sorriso…

Tudo é constância do óbvio,
olhos que vertem rios sem margens,
um corpo sem propósito e
uns passos sem destino…

O amor, às vezes, imita a morte.
Só que de um jeito mais covarde…

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5 respostas para

  1. Lu Amorim disse:

    Que belo poema! Há tanta sensibilidade… que arrepia. Mas Pablo Neruda é tudinho de bombom!(◕‿◕✿)
    Serenidade no coração.
    Beijos de chocolate!。◕‿◕。
    ✿ ❀ ❈

    Curtido por 1 pessoa

  2. 0819claudiacap disse:

    Republicou isso em Título do site.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Mariana Gouveia disse:

    Ah, esse mal tão bem de amor…

    Curtido por 1 pessoa

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