Em ti…

Vanden Abeele Maarten

Vanden Abeele

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

[Vasco Graça Moura]

Meu desespero
nunca foi compreendido.
Mas, tu, és minha salvação,
a paz que sacia minha sede de vida,
minha alameda florida, meu riacho manso.

Tu, árvore que abriga pássaros e frutos,
sombra que apazígua o calor.
Em ti a vida é bem mais,
um tudo misturado ao canto…
(puro encantamento).

Em mim, sangram os rastros
dos meus pés cansados…
Em mim, a lucidez do susto
e a necessidade do afeto
(sempre pouco, sempre tardio).

Mas, em ti, a salvação.
Em ti, toda a cura
para a minha ternura
– desmedida.
Em ti, as desculpas mais bonitas
por eu ser tão estúpida.
Tu minimizas as minhas angústias.

Em mim, um corpo nu,
imperfeito e alheio à lucidez…
Em mim, todos os erros
e a sinceridade que tanto conheço.
Em mim, o reflexo do teu querer
e alguns poemas que te escrevo.

Tu, mão, peito e braços,
regaço macio, beijo molhado…
Tu, paisagem distante
onde me escondo de mim
e me perpetuo.

Eu, eternidade em teu corpo…
(enquanto me carregares contigo
no silêncio de teus pensamentos).

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6 respostas para Em ti…

  1. Alecio Neto disse:

    Belo poema!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Mariana Gouveia disse:

    e a menina ainda disse que eu sou incrível?
    Putz! Tu é incrível!

    Curtido por 1 pessoa

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