Ao desamor…

Rachel Baran

Rachel Baran

podia ter sido o amor se não tivesse vindo
tão directamente da sede
um duplo rosto de enganos e os braços
que saíram desertos
o eco da morte reverbera na pele
com que vejo a tua ausência encher as ruas
um choro de papel cai pela terra
e nunca foi tão tarde ser depois

[Pedro Sena-Lino]

Ela disse: “Eu te amo”
e os pigmentos sanguíneos
dessa frase foram se diluindo
no silêncio que veio do outro lado.

Falava uma língua estrangeira?
Não. Ele havia compreendido.
Só ela que ainda não…
Quantas frases dessas
ficaram sem resposta hoje?

Hipotetizou um número qualquer
depois deixou as lágrimas lavarem
o resto de vermelho que ainda coagulava
nas células do peito, pulsação do nada.

Dia estranho, este, que o amor
tem cheiro de esquecimento
e as orquídeas perdem o sentido,
assim como as rosas, os pássaros
e os sonhos…

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11 respostas para Ao desamor…

  1. Oi! Não sei se você já foi indicada para o prêmio: Mystery Blogger Award.
    Eu te indiquei, está lá no meu Blog!
    Parabéns e até! 🙂

    M.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Traz um verso disse:

    Muito estranho mesmo um dia sem sentido pra rosa.

    Curtido por 1 pessoa

  3. Mariana Gouveia disse:

    Muito belo!

    Curtido por 1 pessoa

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